Monday, February 27, 2006

Inglês da Guiana

Inglês da Guiana * Paulo Nunes da Mata

OBS: Ontem(16/09/2006) eu estive com a Embaixadora da Guiana no Brasil, a senhora Marilyn Chryl Miles e o seu esposo, senhor John Miles. Eles participaram do Literamérica, Feira Internacional do Livro, em Cuiabá-MT. Ela me disse que a Embaixada da Guiana, irá fazer uma página escrita em português para pessoas que estejam interessadas na Guiana. Com relação a língua crioula, ela mencionou que o nome Creolese é mais conhecido no meio intelectual. Na verdade, creolese, não é mais do que uma variedade informal do inglês guianense,assegurou ela. Então, amigos, assim como no português brasileiro, temos a variedade formal e informal, embora aqui, a nossa variedade informal como (nóis vai, cê tá bom?,a gente intende,cês num sabe,etc,etc...) não tenha nome, na Guiana, a variedade informal do inglês guianense (me not know,what you talk bout, them say, etc, etc, etc..)é chamada de creolese. Portanto, no seguinte artigo, onde se lê Creolese, Crioulo ou Língua Crioula guianense, leia INGLÊS GUIANENSE INFORMAL. Para mais informações sobre a Guiana e o INGLÊS GUIANENSE, visite a comunidade GUYANA nas páginas do ORKUT. O endereço é:

http://www.orkut.com/CommTopics.aspx?cmm=50885


"A Guiana oferece inglês como língua estrangeira e já que é posicionada como o único país de língua inglesa no continente sul-americano, os brasileiros são convidados para aproveitarem desta oferta."
(Stabroek News, 2003).

Estas foram as palavras do Presidente da República Cooperativa da Guiana, Bhrarrat Jagdeo, que esteve em Brasília em 30 de julho de 2003 e oferceu o seu país para estudantes brasileiros aprenderem inglês. (Agência Brasil, 2003).
Embora geograficamente a Guiana está posicionada no continente sul-americano, cultural e economicamente ela faz parte da comunidade caribenha. Na comunidade caribenha anglo-fônica, o inglês é apenas a língua oficial e na Guiana não é diferente. O linguista de origem guianense, John R. Rickford (1983) diz que "o inglês padrão é a língua oficial do país e é usada pelo governo, educação e predominante nos meios de comunicação." (Hollbrook, 2001, p. 16).

(Inglês guianense falado na NCN, Rede Nacional de Comunicação(Rádio e TV) da Guiana)
http://www.ncnguyana.com/

Segundo Hollbrook(2001) o inglês padrão é também frequentemente falado no comércio e na igreja e nos demais domínios se fala creolese.
Couto(1996) nos informa que creolese é o nome do crioulo de base inglesa falado na Guiana.
Assim, o creolese é um dos crioulos de base inglesa da família linguística caribenha anglo-fônica.

"Há muitos crioulos diferentes no Caribe - jamaicano, bahamense, crioulo das ilhas Leeward, das ilhas Windward, barbadense e outros - que podem ter sotaque e vocabulário diferentes, mas são unidos por uma estrutura gramatical comum. Os crioulos caribenhos são, portanto, como uma única língua dividida em número de dialetos regionais."
Revista Speak Up (1997)

Nas palavras de Couto(1996, p.234) "O crioulo inglês da Guiana (creolese), ex-Guiana Inglesa apresenta muitas semelhanças com os crioulos de Barbados." E no dicionário de Caribbean English Usage do linguista guianense, Richard Allsopp está escrito que o creolese compartilha palavras e frases com os crioulos de Trinidad & Tobago, Barbados, Jamaica e Granada. (Hollbrook, 2001, p, ).
Couto (1996) afirma que em todas as sociedades crioulas, a língua crioula está sempre em contato com a língua oficial.

(Inglês guianense falado em Merundoi, uma vila fictícia localizada a aproximadamente 30 kilometros de Georgetown.)
http://www.merundoi.org.gy/

(Inglês guianense falado na TV CNS canal 6, canal de televisão voltada para o povo guianense de baixa escolaridade.)
http://www.cns6.tv/

Embora reconheça que o creolese é uma língua independente da língua inglesa, Walter Edwards, línguista guianense chama o creolese de versão da língua inglesa. (Caribvoice, 2004).

" Most ah dis website gon be in we native creolese, yeah man (an homan too)! Ah know dem gat nuff, nuff, GT website in English, but ah doan see none in creolese. Suh, fuh de real guyanese dem who love we native tongue --- well, all meh gat fuh seh to yuh is, welcome home bannah, welcome home binnie!"

Linguagem como esta retirada da página eletrônica do Real Guyana (2005) é também usada por cidadãos guianenses conversando na sala de bate-papo virtual cujo endereço eletrônico é:

www.guyanapalace.com/chat

Para a maioria das pessoas ignorantes em línguas crioulas, a primeira impressão é de que se trata da língua inglesa deformada, em outras palavras, do inglês errado, "broken English" em inglês.
Opinião compartilhada inclusive por cidadaos guianenses como pode ser lido na passagem abaixo retirada do jornal Guyana Chronicle em sua versão eletrônica:

Inglês guianense falado por um comissionário de polícia e um membro do Parlamento:
http://eflprofessional.blogspot.com.br/2014/03/english-creolese-conversation.html

"We should then, not refer ourselves as na English-speaking country, but rather as a broken-English speaking country." Guyana Chronicle (2005)

A Sociedade para a Linguística Caribenha (SCL) citando Ian Robertson(2002) afirma que embora a língua crioula seja lexicalmente dependente da língua inglesa, semântica e gramaticalmente, elas são independentes uma da outra.
Portanto, as língua crioulas (como o creolese) não podem ser rotulada de "broken English". (SCL, 2004)
Para Thomason e Kaufman (1986:35, apud Couto, 1988, p.6) a história sociolinguística dos falantes é a parte mais importante quando se trata de entender a língua crioula.
De acordo com a página eletrônica da Guyana News and Information, os holandeses levaram nos anos de 1650 a 1800 em torno de 900.000 escravos africanos para as Guianas e Caribe das regiões onde hoje se localizam Senegal, Níger, Congo, Angola e a antia Costa do ouro.
Por possuírem línguas ininteligíveis, pois pertenciam a tribos diferentes, o holandês, a língua dos senhores, foi adotada para se comunicarem entre si.
No início, a comunicação ocorreu por meio de um pidgin holandês rudimentar, ao qual os africanos adicionaram algumas palavras e expressões de suas línguas. Ä medida que novas gerações íam nascendo, o pidgin que já se denominava crioulo era a primeira língua da comunidade.
Quando os britânicos invadiram a Guiana, passando a ser os novos senhores, o crioulo guianense mudou por completo de filiação do holandês para a língua inglesa.
Os britânicos libertaram os negros da escravidão e trouxeram povos de Portugal, China e principalmente da Índia para trabalharem na Guiana. Acredita-se que palavras das línguas portuguesa, chinesa e indiana foram incorporadas ao creolese, o crioulo guianense.
A formação do creolese não difere do ciclo vital formulado por Hall(1962:p.151-156, apud Couto, 1998, p, 6), holandês e inglês como línguas dominantes, línguas de superstrato, também chamadas de lexificadoras, em contato com as línguas africanas, as línguas de substrato. Nichols (2001) menciona que todos usam o léxico da língua da população dominante e a sintaxe das línguas dominadas.
Portanto, o creolese é constituido de vocabulário da língua inglesa e gramática das línguas africanas como os demais crioulos da comunidade caribenha anglo-fônica conforme assegura outra linguista guianense, Hubert Devonish. (McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.346).
Apesar do creolese e o inglês padrão serem as línguas mais faladas na Guiana, não há dados que comprovem que os cidadãos guianenses sejam falantes fluentes das duas línguas como declara Hollbrook (2001, p. 19), mas Richard Allsopp comenta que "Não há criança na Guiana Britânica...que não entenda o inglês padrão." (Allsopp, 1953:235 apud Hollbrook, 2001, p, 19).
Walter Edwards (2002) fala em situação rurual quando fala em creolese e Hollbook(2001 diz que a maioria dos guianenses que dominam o inglês padrão mora nas zonas urbanas da Guiana.
A Guiana é uma país de população predominantemente rural; apenas 30% dos guianenses moram na zona urbana. Isto leva a acreditar que 70% dos guianenses falam o creolese, já que esta língua está mais associada com a zona rural. (Hollbrook, 2001, p.19)
Hollbrook(2001) comenta que mesmo os falantes monlingues do creolese não vêem qualquer valor no uso do creolese, pensamento em existência com relação a outros crioulos caribenhos como o jamaicano:

" O apelo da língua padrão cai em sua associação com dinheiro e sucesso. O mundo externo, o mundo do dólar e do comércio internacional fala inglês padrão e o Caribe, dependente da boa vontade dos Estados Unidos e em menor proporção da Inglaterra precisa entrar neste mundo. Advogados, médicos, homens de negócios, estudantes e economistas têm pouco incentivo para promoverem as formas mais fortes do inglês jamaicano ou outro caribenho."
(McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.).

Embora contra a vontade de uma grante parte da população, inclusive do próprio Ministério da Educação da Guiana, que está com um projeto de descrioulizar o creolese dentro de 20 a 30 anos (Hollbrook, 2001, p,) e tornar a Guiana em um centro de aprendizagem de língua inglesa para povos da América do Sul,(Guyana SNDP, 2005) há movimentos que lutam para a estabilização da língua crioula como a língua oficial da comunidade caribenha anglo-fônica. Nas palavras de Devonish, "a língua inglesa é a língua de uma elite separada da massa da população caribenha." (McCrum, Cran, MacNeil, 1986,1992, p.).
Um leitor do jornal Guyana Chronicle expressa a sua opinião em creolese:

"Me a waan proud Guyanese na me proud a me language na me cultcha, me only wish dat me coulda speak mo betta rural Creolese but me teacha in school bin tell me fuh taak praparly. So now me gat fuh taak wan ‘standard’ speech, but guess wha? Dat ‘standard’is de urban Creole. Only ting is dat it sound like English."

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGÊNCIA BRASIL. Brasília. Visita de Trabalho do Presidente da República Cooperativista da Guiana, Bharrat Jagdeo. 2003. Disponível em http://www.radiobras.gov.br/integras/03/integra_300703_2.htm Acesso em 5 de agosto de 2005
GUYANA CHRONICLE. Georgetown. Guyana/Brazil talks include energy cooperation.2003. Disponível em:
http://www.guyanachronicle.com/ARCHIVES/archive%20%2002-08-03.html Acesso em 22 de dezembro de 2005
HOLBROOK,David J;HOLBROOK,Holly A. SIL INTERNATIONAL. Guyanese Creole Survey Report, 2001. Disponível em http://www.sil.org/silesr/2002/011/SILESR2002-011.pdf Acesso em 22 de dezembro de 2005.
COUTO, Hildo Honório do. Introdução ao estudo das línguas crioulas e pidgins/ Hildo Honório do Couto. - Brasília: Editora Universidade de Brasília. 1996
DANIEL, Richards, THOMPSON, Christopher. English around the world 4: From Jamaica to Hong Kong. Revista Speak Up. 1997. São Paulo; Editora Globo, 1997.
EDWARDS, Walter, Carib Voice. The Power of Creolese - 2005. Disponível em: http://www.caribvoice.org/Opinions/powerofcreolese.html Acesso em 22 de dezembro de 2005.
REAL GUYANA. Georgetown. Guyana Close and Personal. 2005. Disponível em:
http://www.realguyana.com Acesso em 22 de dezembro de 2005
DE FREITAS, Justin. Guyana Chronicle. `Broken-English’ land? . 2005.
Disponível em: http://www.guyanachronicle.com/ARCHIVES/archive%2013-10-05.html#Anchor------------------1330 Acesso em 22 de dezembro de 2005
SOCIETY FOR THE CARIBBEAN LINGUISTICS. Frequently Asked Questions:Language and Linguistics:Definitions of terms. 2002.
Disponível em: http://www.scl-online.net/faq.html Acesso em 22 de dezembro de 2005.
GUYANA NEWS AND INFORMATION. The Slave Trade.1995.
Disponível em
http://www.guyana.org/features/guyanastory/chapter25.html . Acesso em 22 de dezembro de 2005.
NICHOLS, Patricia. Pidgins and Creoles, Vol.II. Cambridge University Press, NewYork. 1994
McCRUM, Robert, McNEIL, Robert, CRAN, William. The Story of English. A division of BBC Enterprises Ltd. London.1992
SDNP GUYANA, National Development Strategy:EDUCATION:Special Needs Education. 2000. Disponível em:
http://www.sdnp.org.gy/nds/chapter18.html . Acesso em 22 de dezembro de 2005.
GUYANA CHRONICLE, In defence of creolese.2005 Disponível em:
http://www.guyanachronicle.com/ARCHIVES/archive%2017-10-05.html acesso em 12-12-2005
COUTO, Hildo Honório do. Anticrioulo:Manifestação Linguística de Resistência Cultural/ Hildo Honório do Couto. - Brasília: Editora Universidade de Brasília. 2002
GUYANA NEWS AND INFORMATION. The Development of the Creolese Language.1995. Disponível em:
http://www.guyana.org/features/guyanastory/chapter61.html . Acessado em 17.08.2005

* DA MATA, Paulo Nunes, Inglês da Guiana. Blogger: 2006
http://spaces.msn.com/eltprofessionalpaulo

1 Comments:

Blogger Hugo Brandão said...

boa noite

estava vendo o que vvcs postaram...estava pensando em estudar ingles na guiana...sera que realmente compensa....pelo post...vi que vcs conhecem bastante coisas por la...de uma umas dicas para mim se conpensa ou não...pois num tenho condiçoes financeiras para ir pros EUA ou europa...

Att

9:12 PM  

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